Qual a única diferença objetiva entre uma marca de uma startup e uma marca consolidada? Tempo…o resto deve residir na capacidade de desenvolver essa marca para que ela consiga ganhar relevância na vida de alguém, para que ela melhore algo na vida das pessoas. Isso é o core do conceito de Branding, ou Gestão de Marca, e vale tanto pro Google quanto pra sua startup de 1 mês. Afinal, marcas com mais de 10 anos não estão ativas só por força do dinheiro que possuem pra investir em propaganda na Globo, mas sim pelo valor que elas, dia após dia, entregam aos seus consumidores, seja esse valor intrínseco, seja simbólico….ou preferencialmente, ambos.

1 – Branding é uma preocupação para grandes empresas, como Apple e Coca Cola. Mito! Sua startup já possui um MVP? Já pode faturar? Então você deveria sim se preocupar com a sua marca! Não vamos nos esquecer de que a Apple já foi uma startup de garagem e que o Facebook ainda nem entrou na adolescência com seus meros 10 anos de existência. Existem muitas definições pra o que é uma marca, mas no final do dia, ela reflete um conjunto de percepções na cabeça do consumidor, sobre o que essa marca diz e sobre o que ela faz. Se uma marca promete algo e não cumpre, por menor que ela seja, isso não vai lhe fazer bem no longo prazo.

caozinho

2 – Público-alvo, Atributos, Promessa? Uma startup não precisa dessa sofisticação toda. Mito! Uma startup não precisa contratar uma consultoria de branding pra definir essas coisas, isso é fato. Mas dizer que esses elementos básicos da teoria de Branding, Público Alvo, Atributos e Promessa, não funcionam pra você nesse estágio é no mínimo ingenuidade. Sua empresa está à serviço do que? Gerar lucro? Isso é meramente consequência, como diz Simon Sinek em seu brilhante discurso sobre “o círculo dourado” (The Golden Circle). Discutir como você quer ser percebido pelo seu consumidor (atributos) é uma das principais perguntas que uma startup deveria se fazer antes mesmo de definir seu nome. E por fim, promessa é simplesmente o que você vai oferecer que é único e relevante, ou seja, que outras empresas não tem condições de fazer da mesma forma. Se a sua promessa é facilmente copiável, por exemplo, isso pode prejudicar sua marca no tempo.

3 – Branding é algo teórico, acadêmico.Mito! Se você acha teórico, então você precisa começar a aplicar na prática. Nada da teoria de Branding vai funcionar se a sua marca não viver isso na prática. Se o seu público-alvo está escrito somente num papel e na prática você não fala com ele, isso é um problema. Nesse caso, a definição do seu público-alvo, ou target, deve nortear todo o seu posicionamento, toda a sua maneira de agir. Se você diz que quer ser percebido como uma marca “confiável” e seu site vive fora do ar, o problema não é da teoria, é sim da prática. “Marca é o que as pessoas falam de você quando você não está na sala”, já diria Jeff Bezos, da Amazon.

4 – Monitorar a marca é algo sofisticado demais pra quem esta começando. Mito! Sua startup não precisa de uma sala de controle, de paneis de controle automatizados ou de indicadores sofisticados para conferir se ela entregando valor ao seu consumidor. O monitoramento da saúde e da imagem de marca deve sim ser feito constantemente, mas ele pode ser bastante simplificado e adaptado à realidade de uma startup. Propor questionários on-line, por exemplo, é uma maneira simples e não menos poderosa pra medir o pulso de sua startup. Como estou sendo percebida por quem me usa? Estou entregando aquilo que prometi? Questões como essas deveriam ser sempre monitoradas, independentemente do seu tamanho, de maneira que você possa sempre ajustar, corrigir e evoluir sua promessa.

No final do dia, Branding ou qualquer outra metodologia relacionada à gestão de marca só vai funcionar se a sua startup conseguir transformar isso em valor percebido ao seu público-alvo. Portanto, estudar, analisar e discutir exaustivamente todos os elementos que compõem a teoria de Branding não são tarefas supérfluas, sofisticadas, ou relevantes apenas para estágios mais avançados….ao contrário, ela podem ser decisivas para garantir diferenciação e sobrevivência de sua startup no longo prazo. Mesmo ainda sendo pequeno, pense grande….sempre.

Por Guilherme Issa – MBA/INSEAD e Gerente Global de Brand Strategy na Natura